20 de setembro de 2013

A história como Re-presentação da experiência passada.

Nadir Costa

A História como re-representação da experiência passada”, in Patrick Gardiner, Teorias da História, 4ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian,

Segundo o autor, o historiador estabelece o exterior e o interior de um acontecimento, investigando as ações de um acontecimento numa descoberta do exterior se imaginando dentro dessas ações. Representando o passado criticando e corrigindo erros quando houver. Se interessando pelos costumes sociais que os homens criam pelo pensamento.
Para compreender a História o historiador parte do fato de que o passado não é um dado que ele possa apreender empiricamente pela percepção, visto que o único conhecimento do passado que lhe é possível é dedutivo ou indireto, nunca empírico, e a mediação não pode realizar-se por testemunha. Pois essa mediação forneceria quando muito uma crença infundada e improvável. Além do mais sua atitude é criticá-las e não acreditar nelas. Quando um homem pensa historicamente, tem diante de si certos documentos ou relíquias do passado, sua incumbência é descobrir que passado é esse que deixou tais relíquias, e o que essa pessoa queria que elas significasse. Para descobrir esse pensamento o historiador deve pensá-lo de novo ele mesmo. Para Collingwwod, o historiador numa primeira interpretação tratará apenas de cópias de pensamentos passados e não dos próprios pensamentos passados, ou ainda de que ele nunca pode repensar pensamentos passados, posto que o ato de pensar representa experiência individual e nenhuma experiência é rigorosamente igual a outra.
A história não pode existir daquilo que não é experiência, nem pode haver, história da natureza. A natureza contém processos, está submetida a eles. Ainda que a única condição que tornaria possível uma história da natureza seria se os fenômenos da natureza fossem ações praticadas por algum ou alguns seres pensantes. O autor cita ainda que não pode existir história de nada que não seja pensamento. O historiador procura dominar a história de um pensamento em que não pode penetrar pessoalmente, acontecerá que em vez de escrever a sua historia, se limitará a repetir os relatos que registram os fatos externos de sua evolução. O conhecimento objeto tem, pois, como verdadeiro objeto o pensamento, não coisas sobre que se pensou, mas o próprio ato de pensar.
Para que qualquer ato de pensamento se torne objeto da história, é preciso que ele seja um ato não só de pensamento, mas também de pensamento refletivo. Um ato é algo mais do que um mero fenômeno individual; é algo que tem um caráter universal. As características destes atos é que eles sejam praticados, segundo a expressão corrente, de propósito; que exista, como fundamento, um propósito sobre o qual se erga toda a estrutura do ato e com o qual esteja de acordo. Toda ação propositada tem de ser ação prática, conceber o propósito, e depois, levá-lo a cabo, o que é uma atividade prática que sobrevêm a teoria. O que vem a ser um erro, pois tem influenciado a teoria e a prática da historiografia levando muita gente a pensar que o único objeto possível da história é a vida prática dos homens. Não é verdade que uma pessoa interessada em pensamento teorético esteja agindo sem um propósito, uma vez que a diferença entre conceber e realizar um propósito não ficou corretamente definida quando se disse que era a diferença entre um ato teorético e um prático.
O cientista, o historiador e o filósofo avançam não menos do que o homem prático, nas suas atividades de acordo com planos pensando intencionalmente, alcançando resultados planejados conforme critérios originados dos próprios planos, e que o historiador seja capaz de o interpretar, ou seja, de re-presentar no seu próprio espírito o pensamento que é objeto do seu estudo, considerando o problema, e reconstruindo os degraus através dos quais se foi tentado a sua solução.





O engenho colonial.

Nadir Costa

Teixeira em seu livro O Engenho Colonial, relata o dia-a-dia da sociedade canavieira na época colonial, ele cita a importância do nascimento de descendente varão do senhor e que isso era motivo de festa. O autor enfatiza o poder do senhor em relação aos seus familiares, escravos e os agregados da propriedade.
No livro de Arruda; o senhor de Engenho era a pessoa que detinha o maior poder dentro da família e da sociedade brasileira daquela época. De forma idêntica; Maria Cristina Giovani diz em seu livro: “ os senhores de engenhos eram os mais importantes e influentes proprietários de terra, tinham grande poder econômico, social e político, eram temidos. Todas as pessoas que viviam em suas propriedades estavam sob seu domínio e deviam obedecê-lo, tinham poder de vida e morte sobre seus escravos, trabalhadores livres e seus familiares.
O autor cita que o trabalho dos escravos era duro e eram constantemente vigiados pelos feitores e a qualquer deslize era castigado a chicotadas, e se cometessem alguma falha ou fugissem eram levados ao tronco e o castigo era visto por todos os que estivessem na propriedade.
Piletti diz: “ que os escravos começavam a trabalhas ao raiar do dia e só paravam ao escurecer. Quase não tinham descanso. Nos engenhos as condições de trabalho eram extremamente duro, tanto nos canaviais quanto nas moendas e nas caldeira”.
Tanto Piletti quanto Teixeira concordam em relação a alimentação dos escravos; que eram insuficientes e de péssima qualidade, e que eles aproveitavam as sobras das comida dos senhores, principalmente nos dias de festa.
Quando havia festas as mulheres vestiam suas melhores roupas, os escravos eram também vestidos para acompanhar seus donos , principalmente quando a festa era em outra propriedade.

 Ao se comparar o autor com outros autores de livros didáticos percebe-se que na maioria deles há uma certa semelhança dos fatos, apesar de que os livros didáticos trazem os conteúdos muito resumido, levando o leitor a ter que examinar várias obras para completar o entendimento.
Os manuais erram pela omissão, redução e simplificação ao não considerar todo o processo histórico em curso no continente. Sobre a escravidão no Brasil, o exemplo mais claro disso é a forma como o negro é tratado nos livros didáticos, mesmo os mais politicamente corretos, acabam tratando o negro como objeto. “ A maioria das figuras nos livros, mostram sempre o negro apanhando, em uma situação constrangedora em relação ao branco”. Ignoram os casos de ascensão social de negros. Há registro de negros que se tornaram livres e compravam escravos.


Teixeira Jr., Luiz Alexandre: O Engenho Colonial. O Cotidiano da História. Editora Ática.