Um grupo de arqueólogos egípcios encontrou em Luxor (Egito) os restos de uma igreja do século 5º a.C. e de um nilômetro (construção subterrânea para medir o aumento do rio Nilo) do 2º milênio a.C.. O anúncio foi feito pelo ministro de Cultura egípcio, Farouk Hosny.
A descoberta ocorreu durante uma escavação de rotina no conhecido Passeio das Esfinges, que liga os templos de Luxor e Karnak e que as autoridades egípcias tentam recuperar.
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11 de maio de 2010
9 de maio de 2010
A origem do Dia das Mães
A mais antiga comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses.
O próximo registro está no início do século XVII, quando a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Nesse dia, as trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães. Era chamado de "Mothering Day", fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo.
Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, autora de "O Hino de Batalha da República".
Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.
Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração.
Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data.
"Não criei o dia das mães para ter lucro"
O sonho foi realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Anna Jarvis. A popularidade do feriado fez com que a data se tornasse uma dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. "Não criei o dia as mães para ter lucro", disse furiosa a um repórter, em 1923. Nesta mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso.
Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa a diante. Dizia que as pessoas não agradecem freqüentemente o amor que recebem de suas mães. "O amor de uma mãe é diariamente novo", afirmou certa vez. Anna morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todos, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe.
Cravos: símbolo da maternidade
Durante a primeira missa das mães, Anna enviou 500 cravos brancos, escolhidos por ela, para a igreja de Grafton. Em um telegrama para a congregação, ela declarou que todos deveriam receber a flor. As mães, em memória do dia, deveriam ganhar dois cravos. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, com o mesmo propósito. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados.
No Brasil
O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.
Texto compilado das seguintes fontes
- Pesquisa de Daniela Bertocchi Seawright para o site Terra,
http://www.terra.com.br/diadasmaes/odia.htm
Fontes / Imagens:
· Norman F. Kendall, Mothers Day, A History of its Founding and its Founder, 1937.
· Main Street Mom
· West Virginia Oficial Site
http://www.terra.com.br/diadasmaes/odia.htm
Fontes / Imagens:
· Norman F. Kendall, Mothers Day, A History of its Founding and its Founder, 1937.
· Main Street Mom
· West Virginia Oficial Site
7 de maio de 2010
A CONQUISTA EUROPÉIA
Nadir Costa
Os descobertos tentaram justificar seus deuses e crenças aos cristãos, como mostra esse diálogo entre o cacique inca e um padre espanhol.
Os europeus chegaram às terras descobertas como se fossem seus legítimos donos, delas tomando posse em nome dos reis. Em nenhum momento lhes ocorreu que os povos encontrados pudessem ter qualquer direito à terra onde nasceram e viveram.
Foram ocupando e dominando as terras. Em todo continente americano as cenas de violência foram muito mais frequentes do que o relacionamento cordial. De uma hora para outra, as populações da América se viram invadidas, obrigadas a aceitar as ordens daqueles homens que entravam como senhores das terras, das pessoas, das casas e das riquezas. Diante de tantos metais preciosos, entre outras riquezas minerais, a ganância subiu à cabeça dos europeus. O resultado foi a conquista a base da destruição e violência:
[Os astecas...] estavam em tão má situação que […] para combater tinham que caminhar sobre o corpo de seus mortos. Foi tanto mortandade que entre os mortos e presos somou-se mais de quarenta almas [ somente nesse ataque]. Quando entramos naquela parte da cidade [Tecnochtitlan, atual cidade do México], não havia outra coisa para colocar os pés que não fosse o corpo de um morto. […]
(Hernán Cortéz, Terceira carta ao rei de Espanha, 15/5/1522)
Os europeus possuíam enorme superioridade sobre a maioria dos povos descobertos, conheciam o uso da pólvora, já utilizavam canhões e armas portáteis.
Embora tivessem armas e fossem acostumados às guerras, os povos descobertos não conseguiram resistir aos europeus.
[Cortés...] mostrou-lhes as espadas. Eles não as conheciam, seguravam-nas pelo fio, cortavam-se.[...]
(Bernal Diaz del Castilho, História verdadeira da conquista da Nova Espanha, 1519)
[Os espanhóis …] rápido dispararam um canhão. Tudo ficou confuso. [Os índios] corriam sem rumo, as pessoas dispersavam-se sem quê nem porque, debandavam, como se fossem perseguidos. Tudo era como se todos tivessem comido cogumelos estupefacientes, como se tivessem visto algo assombroso. O terror dominava a todos, como se todo mundo tivesse perdido o coração. E quando anoitecia, era grande o espanto, o pavor se estendia a todos por temor perdiam o sono.[...]
(Frei Bernadino de Sahagún, op.cit, 1555)
Por vezes os índios, se apoderavam das armas dos conquistadores. Mas os valores indígenas,muito diferentes dos europeus, acabavam por destinar para eles um uso diferente:
[…] Todas as vezes que os tarascos [índios do México] se apoderavam de armas de fogo tomadas dos espanhóis, as armas eram oferecidas aos deuses nos templos.[...]
(Martins de Jesus de la Corunã, relação de Michoacán, 1540)
O cavalo desconhecido entre os índios foi fator importante para a vitória militar dos conquistadores. Os indígenas, em pânico, fugiam desordenadamente ou se jogavam ao chão.
Ao impor seus valores, os conquistadores europeus desorganizaram as culturas dos povos descobertos, alteraram o ritmo de vida desses povos, eles se viram proibidos de expressarem suas próprias religiões e a praticar o cristianismo. O resultado foi o enfraquecimento e desorganização, pois era nos mitos, nas crenças e nos símbolos que esses povos encontravam as explicações para a vida, a natureza, a morte...
A importância dos mitos em algumas sociedades era tão grande que Montezuma, imperador asteca, chegou a interpretar a chegada dos espanhóis como sendo a realização de uma antiga profecia. Baseando-se em uma série de presságios, ele reconheceu nos conquistadores os antigos deuses que, segundo a profecia, havia criado o povo asteca e que um dia voltariam para dominá-los. Foram essa palavras que Montezuma a Cortés:
[…] Não, não é que eu sonhe, não me levanto adormecido do sonho: não vejo isso em sonhos, não estou sonhando […] Acontece que já te vi, aconteceu que já coloquei meus olhos em seu rosto! […] Há cinco, dez dias eu estava angustiado: tinha o olhar fixo na Região do Mistério. E tu vinhas entre as nuvens, entre neblinas. Era bem como deixaram-nos os reis, os que regeram, os que governaram a tua cidade, que haverias de instalar-te em teu assento, em teu domínio, que haverias de vir para cá […] Pois agora realizou-se: tu já chegaste, com grande esforço, com grande afã. Chega a terra: vem e descansa, toma posse de tuas casas reais, dá refrigério ao teu corpo. Chegai à vossa terra, senhores nossos! […](Frei Bernadino de Sahagún, op.cit, 1555)
A chegada dos espanhóis confundiu tanto a cultura asteca, que os índios chegaram a duvidar de seus próprios deuses.
[Os índios...] pediram aos deuses que lhes concedessem favores e a vitória sobre os espanhóis e outros inimigos. Mas deveria ser tarde demais, porque não obtiveram mais nenhuma resposta em seus oráculos; então consideraram os deuses mudos ou mortos.[...]
(Duran, missionário espanhol, relato do século XVI)
Os descobertos tentaram justificar seus deuses e crenças aos cristãos, como mostra esse diálogo entre o cacique inca e um padre espanhol.
[…] Atahualpa […] disse quanto à religião, que a sua era muito boa e que se dava muito bem com ela […] Ele dizia além disso que Jesus Cristo tinha morrido, mas que o Sol e a Lua nunca morriam, e perguntou ao frade como é que ele sabia que o Deus dos cristãos tinha criado o mundo. Frei Vicente respondeu-lhe que aquele livro o dizia, e ao dizê-lo deu-lhe o seu breviário […] Atahualpa tomou-o, abriu-o, olhou-o de todos os lados, folheou-o e […] atirou-o no chão […] Frei Vicente apanhou o seu breviário e foi ter dom Pizzarro, gritando: “Ele atirou ao chão os evangelhos! Vingança, Cristãos! Carreguem sobre eles!” […]
(F. López de Gomora, História das índias, 1568)
Em todos os povos dominados, os conquistadores estavam decididos a impor a religião pela força.
[No templo asteca...] há três salas onde estão os ídolos principais, todas de maravilhosa grandeza e belos trabalhos em cantaria, madeiramento e figuras esculpidas. Dentro destas salas estão pequenos compartimentos, sem claridade nenhuma, onde ficam alguns religiosos. Ali dentro é que ficam seus ídolos. Os principais destes ídolos e nos quais eles tinham mais fé eu derrubei de seus assentos e os fiz descer escada abaixo. Fiz também com que limpassem aquelas capelas, pois estavam cheias de sangue dos sacrifícios que faziam. Em lugar dos ídolos mandei colocar imagens de Nossa Senhora e de outros santos […]
(Hernán Cortés, Segunda carta ao rei da Espanha, 30/10/1520)
Quando os conquistados tentavam reagir, eram castigados, como demonstram o documento que segue:
[…] Depois de terem deixado a capela, esses homens [indígena] jogaram as imagens [cristãs] ao solo, cobriram-nas com um punhado de terra e urinaram sobre elas; vendo isto, Bartolomeu, irmão de Colombo, decidiu puni-los de modo bem cristão […] levou alguns homens maus à justiça e, em vez definido o crime, fez com fosse queimados em público. […]
(F. Colombo, historiador espanhol, século XVI)
A violência dos conquistadores e a imposição religiosa muitas vezes resultaram num verdadeiro horror aos povos descobertos.
A conquista foi a primeira etapa da dominação europeia sobre os povos descoberto. A partir daí começou de fato a colonização, etapa seguinte desse longo processo de contato desigual entre os homens do mundo.
5 de maio de 2010
Minorias
minorias são grupos marginalizados ou vulneráveis que vivem à sombra de populações majoritárias. Possuem costumes e práticas culturais baseados em valores diferentes dos da cultura majoritária ou dominante. As minorias estão presentes desde a Antiguidade em muitas sociedades e países. Atualmente, discute-se muito o estabelecimento de seus direitos. São exemplos de segmentos minoritários os povos autóctones ou indígenas, os migrantes, os imigrantes, os refugiados, os deslocados e os exilados.
COLONIALISMO
O Colonialismo é um fenômeno antigo. Desde a época dos gregos, a história mundial registra a constituição de muitas colônias e impérios. Trata-se de uma prática de conquista e ocupação de terras estrangeiras, que consiste em nelas instalar colonos a fim de explorar as riquezas agrícolas e minerais do local, assim como o trabalho dos colonizados. Entre as razões que levam ao impulso de colonização, destacamos as guerras de conquista, as discordâncias dinásticas, a ambição territorial para o domínio de recursos estratégicos, a expansão comercial, a evangelização, a escravização de povos e a reconquista. Nos dias de hoje, alguns recursos estratégicos, como o petróleo, a água e as florestas tropicais, podem levar determinados países à guerra contra outros povos e à ocupação de seus territórios. Por exemplo, o petróleo e a água estão entre os motivos de constante instabilidade no Oriente Médio.
3 de maio de 2010
Índios que habitavam o Brasil antes da colonização portuguesa
Por: Caop Indígena
Os povos indígenas que habitavam o Brasil antes da colonização portuguesa não possuíam escrita; assim, não existem documentos escritos que expliquem como eram essas comunidades antes do “descobrimento”, conforme explicam Flávio de Campos e Renan Garcia Miranda:
A forma de tentar reconstituir a vida dos nativos antes da chegada dos europeus é, por mais paradoxal que possa parecer, pelos relatos e crônicas escritos por esses mesmos europeus no período colonial. Como os povos indígenas da América portuguesa não desenvolveram a escrita, os principais documentos a respeito de sua história foram elaborados pelos conquistadores.
A partir de relatos dos descobridores e de estudiosos do período pode-se concluir a forma com que os indígenas viviam como sociedade.
Sabe-se que os indígenas não tinham a mesma visão capitalista dos europeus, haja vista que viviam em uma sociedade na qual não havia desigualdades, tampouco disputa de poder. Andreza Pierin ressalta que:
Essas sociedades desenvolveram formas particulares de manejo dos recursos naturais, que não visam diretamente o lucro, mas à reprodução cultural e social, além de percepções e representações em relação ao mundo natural, marcadas pela idéia de associação com a natureza e a dependência de seus ciclos. Os índios pertencem a uma sociedade cujo fim é a reprodução da solidariedade e não a acumulação de bens e lucro.
Portanto, estuda-se a forma de viver dos indígenas que habitavam o País naquela época a partir de relatos de descobridores, como os trechos da carta endereçada ao Rei D. Manuel escrita por Pero Vaz de Caminha:
Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram de comer dos alimentos que tinham, a saber muito inhame, e outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles. Resgataram lá por cascavéis e outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vô-las há de mandar, segundo ele disse. E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus.
O texto acima exposto de Pero Vaz de Caminha demonstra a simplicidade e inocência dos povos indígenas.
Em consonância com
a simplicidade e inocência colocadas por Pero Vaz de Caminha, Luiz Donizete Benzi Grupioni destaca alguns dos valores mais característicos das sociedades indígenas:
Sociedades indígenas são sociedades igualitárias, não estratificadas em classes sociais e sem distinções entre possuidores dos meios de produção e possuidores de força de trabalho. São sociedades que se reproduzem a partir da posse coletiva da terra e dos recursos nela existentes e da socialização do conhecimento básico indispensável à sobrevivência física e ao equilíbrio sócio-cultural dos seus membros.
Deste modo, a partir dos ensinamentos de Luiz Donizete Benzi Grupioni, pode-se concluir que os indígenas valorizavam a terra e não degradavam o meio ambiente, haja vista que este era o meio de sobrevivência das comunidades.
Boris Fausto exemplifica as atividades dos indígenas como sendo a caça, a pesca, a coleta de frutos, a agricultura, bem como o artesanato, sendo que todas estas atividades não eram em busca do lucro como nas sociedades capitalistas, porém o autor não acredita que eles possuíam consciência de proteger o meio ambiente. Todavia, afirma que:
De qualquer forma, não há dúvida de que, pelo alcance limitado de suas atividades e pela tecnologia rudimentar de que dispunham, estavam longe de produzir os efeitos devastadores da poluição de rios com mercúrio, ou da derrubada de florestas com motosserras, características das atividades dos brancos nos dias de hoje.
Verifica-se que os indígenas possuíam uma sociedade extremante diferente da sociedade européia, sendo que esta chegou ao Brasil com o intuito de obter riquezas e poder, enquanto que os indígenas somente utilizavam a terra, a água e caçavam para a sobrevivência da espécie.
As conseqüências da conquista para os indígenas
A partir da chegada dos portugueses no Brasil, a vida dos indígenas foi transformada. Além do cotidiano e dos costumes, começou a ser modificado também o meio ambiente, como esclarece Carlos Frederico Marés de Souza Filho:
Os europeus, especialmente os portugueses e espanhóis, chegaram na América como se estivessem praticando a expansão de suas fronteiras agrícolas. Foram chegando, extraindo as riquezas, devastando o solo e substituindo a natureza por outra, mais conhecida e dominada por eles. As populações locais viviam do que a aqui tinham, comiam milho ou mandioca, produziam biju, ricas carnes de animais nativos, aves ou peixes. Aos poucos foram introduzidas novas comidas, cabras, carneiros, queijos e novas plantas, cana-de-açúcar, café e beterraba. A introdução de novas essências não poupou nem mesmo as árvores e os frutos, a tal ponto de se dizer que a natureza foi substituída.
Diferente do que muitos contam, os indígenas, assim como os negros, foram escravizados. Darcy Ribeiro relata que eles eram caçados e apropriados pelos senhores para os servirem. Enquanto que o negro era utilizado para mão de obra mercantil e de exportação, o índio era utilizado para transportar cargas, para cultivar gêneros, preparar alimentos, para a caça e a pesca.
Desta forma o indígena passou a perder seu espaço e sua liberdade, ficando cada vez mais dependente do “homem branco”, o que ficou ainda mais marcado com a vinda dos Jesuítas, em meados do século XVI.
Os povos indígenas que habitavam o Brasil antes da colonização portuguesa não possuíam escrita; assim, não existem documentos escritos que expliquem como eram essas comunidades antes do “descobrimento”, conforme explicam Flávio de Campos e Renan Garcia Miranda:
A forma de tentar reconstituir a vida dos nativos antes da chegada dos europeus é, por mais paradoxal que possa parecer, pelos relatos e crônicas escritos por esses mesmos europeus no período colonial. Como os povos indígenas da América portuguesa não desenvolveram a escrita, os principais documentos a respeito de sua história foram elaborados pelos conquistadores.
A partir de relatos dos descobridores e de estudiosos do período pode-se concluir a forma com que os indígenas viviam como sociedade.
Sabe-se que os indígenas não tinham a mesma visão capitalista dos europeus, haja vista que viviam em uma sociedade na qual não havia desigualdades, tampouco disputa de poder. Andreza Pierin ressalta que:
Essas sociedades desenvolveram formas particulares de manejo dos recursos naturais, que não visam diretamente o lucro, mas à reprodução cultural e social, além de percepções e representações em relação ao mundo natural, marcadas pela idéia de associação com a natureza e a dependência de seus ciclos. Os índios pertencem a uma sociedade cujo fim é a reprodução da solidariedade e não a acumulação de bens e lucro.
Portanto, estuda-se a forma de viver dos indígenas que habitavam o País naquela época a partir de relatos de descobridores, como os trechos da carta endereçada ao Rei D. Manuel escrita por Pero Vaz de Caminha:
Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram de comer dos alimentos que tinham, a saber muito inhame, e outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles. Resgataram lá por cascavéis e outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vô-las há de mandar, segundo ele disse. E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus.
O texto acima exposto de Pero Vaz de Caminha demonstra a simplicidade e inocência dos povos indígenas.
Em consonância com
a simplicidade e inocência colocadas por Pero Vaz de Caminha, Luiz Donizete Benzi Grupioni destaca alguns dos valores mais característicos das sociedades indígenas:
Sociedades indígenas são sociedades igualitárias, não estratificadas em classes sociais e sem distinções entre possuidores dos meios de produção e possuidores de força de trabalho. São sociedades que se reproduzem a partir da posse coletiva da terra e dos recursos nela existentes e da socialização do conhecimento básico indispensável à sobrevivência física e ao equilíbrio sócio-cultural dos seus membros.
Deste modo, a partir dos ensinamentos de Luiz Donizete Benzi Grupioni, pode-se concluir que os indígenas valorizavam a terra e não degradavam o meio ambiente, haja vista que este era o meio de sobrevivência das comunidades.
Boris Fausto exemplifica as atividades dos indígenas como sendo a caça, a pesca, a coleta de frutos, a agricultura, bem como o artesanato, sendo que todas estas atividades não eram em busca do lucro como nas sociedades capitalistas, porém o autor não acredita que eles possuíam consciência de proteger o meio ambiente. Todavia, afirma que:
De qualquer forma, não há dúvida de que, pelo alcance limitado de suas atividades e pela tecnologia rudimentar de que dispunham, estavam longe de produzir os efeitos devastadores da poluição de rios com mercúrio, ou da derrubada de florestas com motosserras, características das atividades dos brancos nos dias de hoje.
Verifica-se que os indígenas possuíam uma sociedade extremante diferente da sociedade européia, sendo que esta chegou ao Brasil com o intuito de obter riquezas e poder, enquanto que os indígenas somente utilizavam a terra, a água e caçavam para a sobrevivência da espécie.
As conseqüências da conquista para os indígenas
A partir da chegada dos portugueses no Brasil, a vida dos indígenas foi transformada. Além do cotidiano e dos costumes, começou a ser modificado também o meio ambiente, como esclarece Carlos Frederico Marés de Souza Filho:
Os europeus, especialmente os portugueses e espanhóis, chegaram na América como se estivessem praticando a expansão de suas fronteiras agrícolas. Foram chegando, extraindo as riquezas, devastando o solo e substituindo a natureza por outra, mais conhecida e dominada por eles. As populações locais viviam do que a aqui tinham, comiam milho ou mandioca, produziam biju, ricas carnes de animais nativos, aves ou peixes. Aos poucos foram introduzidas novas comidas, cabras, carneiros, queijos e novas plantas, cana-de-açúcar, café e beterraba. A introdução de novas essências não poupou nem mesmo as árvores e os frutos, a tal ponto de se dizer que a natureza foi substituída.
Diferente do que muitos contam, os indígenas, assim como os negros, foram escravizados. Darcy Ribeiro relata que eles eram caçados e apropriados pelos senhores para os servirem. Enquanto que o negro era utilizado para mão de obra mercantil e de exportação, o índio era utilizado para transportar cargas, para cultivar gêneros, preparar alimentos, para a caça e a pesca.
Desta forma o indígena passou a perder seu espaço e sua liberdade, ficando cada vez mais dependente do “homem branco”, o que ficou ainda mais marcado com a vinda dos Jesuítas, em meados do século XVI.
O Relativismo e a Filosofia
Por: Mauricio Santos
Um dos problemas mais sérios que encontramos ao estudar certas disciplinas filosóficas, como a Ética e a Política, consiste no relativismo.
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Um dos problemas mais sérios que encontramos ao estudar certas disciplinas filosóficas, como a Ética e a Política, consiste no relativismo.
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