5 de março de 2010

A herança de Judeus e muçulmanos

A herança também é genética

Judeus e muçulmanos, expulsos da Península Ibérica
no século XV, deixaram um rico legado arquitetônico
e cultural. A influência também está marcada no DNA: um
em cada três portugueses e espanhóis descende de judeus



(Alhambra, arquitetura mourisca, em Granada, e, à direita, a expulsão dos judeus)


A curiosidade em relação aos antepassados é um componente da natureza humana. Para reconstruir a história, conta-se tradicionalmente com documentos, testemunhos e artefatos arqueológicos. Agora, uma nova ferramenta está à disposição dos estudiosos: a pesquisa genética. Ela permitiu comprovar que os ameríndios são originários da região central da Sibéria (...) Um estudo genético divulgado neste mês traz outra revelação inesperada: um terço da população de Espanha e Portugal – países com uma história de fervor católico e intolerância religiosa – tem entre seus ancestrais judeus ou mouros.

Mais de 99% do genoma humano é idêntico em todas as pessoas. Mas cada grupo populacional possui um conjunto de pequenas mutações identificáveis, chamadas marcadores. Estes marcadores podem ser rastreados por meio da análise do cromossomo Y, que passa quase intacto de pai para filho. Fizeram parte do estudo 1 140 portugueses e espanhóis cujos avôs também eram nascidos na Península Ibérica – o que indicava que suas famílias estavam ali desde pelo menos 1900. Esse material foi comparado com os marcadores de muçulmanos do norte da África e de judeus sefarditas de várias nações para medir a sua presença na população ibérica atual. Sefarditas são os descendentes dos judeus expulsos da Espanha e de Portugal no século XV. A conclusão: 20% dos habitantes desses dois países possuem ascendência judaica e 11% têm genes árabes e berberes.

Os muçulmanos invadiram a Península Ibérica em 711 e dominaram boa parte dela por sete séculos. A presença judaica remonta à primeira grande diáspora depois da tomada de Jerusalém pelas legiões romanas, no ano 70. Os judeus consideram como uma era de ouro justamente o início do domínio mouro. Foi um período de florescimento cultural, com destaque para a medicina e a filosofia, e de relativa tolerância religiosa. Apesar das disputas dinásticas e das rixas entre tribos berberes, em raras ocasiões os judeus e os cristãos foram massacrados ou forçados à conversão. Em parte por razões pragmáticas, dizem os historiadores, visto que os "infiéis" pagavam altos impostos.




A convivência foi sepultada em 1492, quando os reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão tomaram Granada, o último reduto mouro na península. No mesmo ano, os judeus foram forçados a se converter ou deixar a Espanha. Na época, havia cerca de 400 000 deles no país. Desses, 120 000 fugiram para Portugal. Quatro anos depois, a intolerância religiosa cruzou a fronteira. Para cederem a mão de sua filha Isabel ao monarca português dom Manuel I, os reis da Espanha exigiram a expulsão dos judeus que recusassem a conversão. Até o marquês de Pombal destruir os registros, no século XVIII, os convertidos, chamados de cristãos-novos, permaneceram cidadãos de segunda classe em Portugal e também no Brasil. Percebe-se agora que as conversões ao cristianismo durante a Inquisição parecem ter ocorrido em maior quantidade do que se pensava.

"O que mais nos surpreendeu foi o fato de a influência judaica ser tão maior que a muçulmana, mesmo com séculos de domínio mouro", disse a VEJA o historiador português Jorge Martins, autor do livro Portugal e os Judeus. "Até hoje não há compreensão do real tamanho da contribuição judaica para nossa identidade nacional." Atualmente, essas confissões religiosas compõem menos de 2% da população da península e nem sempre são vistas com bons olhos. No último censo realizado em Portugal, apenas 1 773 pessoas se declararam de religião judaica. Segundo uma pesquisa recente, metade dos espanhóis tem uma visão negativa dos judeus, um dos índices mais altos de toda a Europa. À luz do estudo genético, pode-se dizer que se trata de uma visão distorcida da própria imagem no espelho.

(Fonte: Revista Veja, 24 de dezembro de 2008)

Grécia Antiga

Período Homérico
A Grécia é uma península banhada por três mares: mar Jônico, mar Egeu e mar Mediterrâneo. Tem a leste a Ásia Menor (atual Turquia). O litoral grego é muito recortado, formando portos naturais. Os mares que circundam a Grécia são pontilhados de ilhas e ilhotas famosas pela sua beleza natural.




Era uma região diferente daquelas habitadas pelos povos orientais que viviam em férteis planícies às margens dos grandes rios, ao passo que os gregos que ocupavam uma área muito montanhosa, tinham que trabalhar duramente um solo pobre e pedregoso para conseguir sua agricultura de subsistência.
Devido à pobreza da terra, nas pequenas áreas cultivadas formavam-se agrupamentos humanos (pequenas comunidades) separadas uma das outras por vários acidentes geográficos


Os dórios transformam a Grécia Antiga

A chegada dos dórios no século XII a.C. provocou a desestruturação dos povoados e espaços urbanos da Grécia Antiga, com o enfraquecimento do comércio, o fim do uso da escrita e a fuga da população para regiões distantes. A sociedade da Grécia Antiga passou a apresentar, então, fortes características rurais, caracterizando-se o início do período Homérico, que se estendeu até o século VIII a.C.
A base da organização da sociedade eram as unidades familiares, denominadas genos, cada qual liderada por um patriarca, que desempenhava funções de sacerdote, juiz e chefe militar e cujo poder era transmitido hereditariamente do pai para o filho mais velho.
Os membros de cada genos cultuavam um ancestral comum, em geral considerado descendente dos deuses ou heróis. A terra, os equipamentos e todos os bens produzidos pertenciam à comunidade. A subsistência era garantida por uma produção que envolvia a maior parte dos integrantes dos genos, sob a liderança do patriarca.





O período Homérico recebe este nome devido à grande importância cultural que teve o poeta Homero, ao descrever os acontecimentos da época em suas duas grandes obras: a Ilíada e a Odisséia. O nome "Ilíada" veio da palavra Ilion, que em grego significa Tróia. Temos, assim, a história da Guerra de Tróia. Já o nome "Odisséia" vem da palavra Odisseu que em grego significa Ulisses. Essa obra conta as aventuras de Ulisses, ao voltar à sua terra natal após a eclosão da Guerra de Tróia. É justamente nesse período que começa a divisão dos grupos familiares na Grécia Antiga. As famílias que tinham um descendente comum formavam um clã denominado geno Estes se aglomeravam, formando as fratrias que, unidas geravam as tribos. Quando algumas tribos se aliavam, geralmente pela ameaça de um inimigo comum, era criada uma cidade-estado.



Com a fragmentação dos genos, surgiram as classes e desigualdades sociais e ainda dois problemas vieram à tona: primeiro a dispersão da população por outras áreas da Ásia menor e a formação de uma oligarquia da aristocracia rural. Essas mudanças dão fim ao período homérico da história grega

Cidades-estados gregas

Esparta e Atenas
As Pólis eram conhecidas como cidades-Estados, porque eram como cidades mas cada uma tinha tanto poder, que até parecia um país.
Duas Pólis se destacaram: Atenas e Esparta…





Esparta
Esparta era cercada de montanhas, numa área de difícil acesso. A sociedade era muito guerreira. Todos os homens eram treinados e se tornaram os melhores e mais disciplinados soldados da Grécia. Os espartanos tinham leis muito rígidas, dois reis para governar e eram os grandes rivais de Atenas.

Esparta foi fundada pelos dórios, que conseguiram dominar os aqueus e se apossaram de suas terras. Cercada por montanhas, não tinha saída para o mar. Assim, não desenvolveu o comércio e a navegação.
A sociedade estava dividida em três grupos sociais:
Esparciatas - guerreiros, descendentes dos dórios. Eram a camada dominante, detentora das terras e possuía direitos políticos.
Periecos - os aqueus que nao resistiram aos invasores. Eram homens livres, mas sem direitos políticos. Atuavam como camponeses, artesãos e comerciantes. Em época de guerra, eram convocados para o serviço militar.
Hilotas - a maioria da população. Eram servos do Estado e trabalhavam nas terras dos esparciatas.
Os hilotas tinham vida miserável, estavam expostos à violência, exerciam várias atividades e revoltavam-se com frequência.



A organização do poder político era feita de maneira a manter os privilégios da camada dominante. Os principais órgãos políticos eram:
Diarquia - formada por dois reis.
Gerúsia - era o conselho dos anciãos, composta por pessoas com mais de 60 anos que fiscalizavam e administravam os assuntos do governo.
Ápela - uma assembléia popular formada por cidadãos com mais de 30 anos.



Atenas
Atenas estava localizada perto do mar. Por isso, era um dos principais centros exportadores da Grécia. Esta pólis era poderosa, ficou muito rica… mas a quantidade de escravos crescia e lutava por mais direitos.


Localizada na Ática, nas proximidades do mar Egeu, formou-se com o ajuntamento de tribos jônicas. Desenvolvia o artesanato e o comércio.
A sociedade era formada pelas seguintes camadas:
Eupátridas - os 'bem nascidos', tinham privilégios, eram os grandes proprietários de terras.
Geomores - pequenos proprietários de terras.
Demiurgos - comerciantes e artesãos.
Metecos - eran os estrangeiros que moravam em Atenas e se dedicavam ao comércio e ao artesanato.
Escravos - prisioneiros de guerra e pessoas condenadas por dívidas.
A vida do escravo eram muito difícil. Alguns trabalhavam nas minas de prata, outros nas atividades domésticas e até mesmo na prostituição. As fugas eram frequentes.

A organização do poder se dava com um rei intitulado basileus. A monarquia foi a primeira forma de governo. Aos poucos, os eupátridas passaram a limitar o poder do rei.

Aos poucos, artesãos e comerciantes enriqueceram e passaram a reivindicar participação política. Daí, houve confronto entre os grupos sociais e para resolvê-las foi necessário algumas reformas

Imagens da Idade Média

Pirâmide Social


Mosteiro



Monges copistas



Sapateiro


Jantar



Imagens Egito Antigo




Mapa do Egito



Pirâmedes


Interior da pirâmede



Interior da pirâmede



Tumba de Luxor



Trabalho no Egito


Hieroglifos


Hieroglifos



templo de Hatshepsut



Múmia de Hatshepsut



Hatshepsu



Nefertiti



Faraó Akhenaten



Faraó Tutancâmon



Faraó Tuthmosis


Múmia Egípcia



Múmia de Ramses


Deus Anubis



Tribunal de Osiris



Pão e cerveja



mulheres nobres

4 de março de 2010

Paleontólogos descobrem mais antigo ancestral dos dinossauros

Paleontólogos descobrem mais antigo ancestral dos dinossauros

Um grupo de paleontólogos americanos descobriu um ancestral dos dinossauros que habitou a Terra 10 milhões de anos antes que o mais antigo dos répteis gigantes.

O Asilisaurus kongwe, uma criatura quadrúpede do tamanho de um cachorro, que é tão próxima do dinossauro quanto os chimpanzés são do homem, foi descoberto na Tanzânia, leste da África.
O resultado dos estudos a respeito desses antepassados dos dinossauros que datam de 245 milhões de anos atrás foi publicado na última edição da revista científica Nature.

"Essa nova evidência sugere que (os dinossauros) foram realmente apenas um dos diversos grandes e distintos grupos de animais que explodiram em diversidade durante o período Triássico", disse Sterling Nesbitt, pesquisador da Universidade do Texas e líder do estudo.

Randall Irmis, membro do Museu de História Natural de Utah, nos Estados Unidos, que também participou da pesquisa, disse em entrevista à repórter Victoria Gill da BBC News que essa criatura era "o parente mais próximo dos dinossauros".

"Eles estão para os dinossauros como os chimpanzés estão para os humanos – como primos", disse Irmis.
O pesquisador revelou também que o animal não era o que os paleontólogos esperavam.

"Era uma pequena e estranha criatura. Nós sempre pensamos que os mais antigos parentes (dos dinossauros) fossem animais pequenos, bípedes e carnívoros. Esses animais andavam sobre quatro patas e tinham bicos e dentes de herbívoros", explicou à BBC.
'Experimento mal-sucedido'

Os paleontólogos encontraram fósseis de pelo menos 14 ossadas no sul da Tanzânia, o que possibilitou a reconstituição quase completa de um esqueleto do Asilisaurus kongwe.

Esses animais tinham entre 45 e 90 centímetros de altura, de 0,9 a 3 metros de comprimento e pesavam de 10 a 30 quilos.

Os estudos sobre o espécime indicam que esses primos dos dinossauros entraram em extinção 45 milhões de anos depois do seu surgimento. Os dinossauros, porém, foram mais bem sucedidos, pois habitaram o planeta Terra por 165 milhões de anos.

O paleontologista do Museu de História Natural de Londres Paul Barrett explicou que essa criatura "foi como um experimento mal-sucedido de como criar um dinossauro".

Segundo ele, a descoberta proporciona aos cientistas uma importante informação sobre a evolução dos dinossauros.

"Essas criaturas compartilharam muitas características com os dinossauros", disse. "Eles nos mostram um estágio intermediário entre os répteis mais primitivos e os dinossauros mais específicos".

2 de fevereiro de 2010

A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral.

Eduardo Bueno
Rio de Janeiro, Objetiva,1998



A Viagem do Descobrimento
Flávio Santos

Dentro do contexto de comemoração dos 500 anos da chegada oficial dos portugueses ao Brasil, inúmeros temas que envolvem esta chegada estão sendo colocados em revisão. Alguns já bastante discutidos, mas que ainda não foram esgotados, como é o caso da antecedência e intencionalidade do achamento da Terra de Vera Cruz.

É para contribuir com essa discussão que o jornalista e escritor Eduardo Bueno lança a Coleção Terra Brasilis, onde busca o entendimento do universo que envolvia as primeira expedições ao Brasil, reconstruindo através de relatos, diários de bordo e cartas a vida, experiências e as impressões dos homens que se lançaram ao mar em busca do conhecido ( as especiarias das Índias ) por caminhos desconhecidos( o Mar Tenebroso ). A coleção se divide em dois volumes: O primeiro volume com o título A viagem do descobrimento e o segundo Náufragos, Traficantes e Degredados. Aqui serão analisados apenas os pontos levantados no primeiro volume.

Eduardo Bueno, faz uma descrição dos preparativos para a viagem encampada por Cabral, relatando os indícios de terras percebidos durante a viagem de Vasco da Gama e a confirmação deles pela expedição de Cabral. Segundo o autor, esta expedição havia sido preparada com o intuito de demostrar o poderio militar e o fausto de Portugal ao Samorim de Calicute, que havia desdenhado da expedição de Vasco da Gama, ocasionando os conflitos com os mercadores árabes, o que comprometia os interesse mercantis de Portugal naquela região. Assim, Cabral inicialmente deveria cumprir a tarefas de impressionar o Samorim de Calicute – pelo luxo e pelas armas - e a partir daí estabelecer o comércio de especiarias. Entretanto, no meio do caminho, a expedição de Cabral deveria realizar a manobra " voltar do mar " para assim conseguir atravessar, com êxito, o Cabo da Boa Esperança. É neste ponto que se instaura a polêmica em torno da chegada dos portugueses ao Novo mundo.

A " volta ao mar " foi uma manobra descoberta acidentalmente por Bartolomeu Dias por ocasião de sua tentativa de concluir o périplo africano e atingir Calicute nos ano de 1487 e 1488. Uma tormenta afasta sua expedição da costa empurrando-a para o sul, ao cessar a tempestade constata ter conseguido atravessar o então Cabo das Tormentas, mas é forçado por um motim a retornar a Portugal. No seu retorno, transmite as suas experiências a Vasco da Gama que se preparava para empreender a sua viagem. Na execução da manobra, Vasco da Gama se aproxima do continente, percebe os indícios de terra, mas segue viagem. Quando em Portugal, Vasco da Gama relata ter avistado sinais de terra e, segundo E. Bueno, embora "(...) sua missão fosse instalar um entreposto português no coração do reino das especiarias, em Calicute, na Índia, nada impedia Cabral de, naquele instante, prosseguir mais algumas léguas para oeste (...)" [1].

Como resultado deste desimpedimento, a esquadra de Cabral avista nas "horas de vésperas" do dia 22 de abril o monte (posteriormente) Pascoal. Estava achada a terra que seria chamada Brasil.

Eduardo Bueno, assumindo um posicionamento favorável à tese da intencionalidade portuguesa no achamento do Brasil, argumenta que sua existência já era prevista em Portugal desde o final do século XV [2]. Sendo assim, considera a intencionalidade dos portugueses indiscutível, não ocorrendo o mesmo com a questão da antecedência [3]. Embora não fosse possível negar a presença de navegadores espanhóis no litoral norte do atual Brasil meses antes de Cabral, E. Bueno, contesta a antecedência em dois anos de Duarte Pacheco em relação a esquadra de Cabral, afirmando-a produto de uma obscura passagem extraída por Pereira da Silva do Esmeraldo de Situ Orbis.

A viagem do descobrimento, é uma obra de fácil leitura em que o autor se esmera em fornecer informações adicionais ao texto principal nas notas do canto da página, acompanhadas sempre de ilustrações que igualmente ajudam no entendimento da abordagem do autor. Sobre o conteúdo do trabalho não se pode dizer que traga um novo olhar ou surpreenda com alguma informação ainda inédita. Ela não é uma obra que se pretenda à uma discussão ou à polêmica, ao contrário, sua intenção é levar ao grande público uma versão da História do descobrimento. Eduardo Bueno, prefere manter-se fiel à visão oficial, já consolidada pela insistente repetição, fazendo coro nas vozes que aclamam Cabral como o grande descobridor e os portugueses como os reveladores dos caminhos para novas conquistas.

De certa forma o autor trata o tema como se fosse novidade e, o que é pior, pelo subtítulo do livro - "a verdadeira história doa expedição de Cabral" – ele pretender ter a última palavra sobre o assunto. Não obstante ser um bom trabalho de reconstituição histórica, o autor desperta no leitor uma expectativa que acaba por ser frustrada. Essa pretensão de relatar a " verdadeira história", pode ser percebida por dois ângulos. O primeiro ideológico, o de reafirmar uma versão da conquista portuguesa de uma ótica conservadora e ainda dominante no seio das elites: a cultura e a civilidade européia vieram resgatar os autóctones do Novo Mundo de sua barbárie e ignominia. Essa forma de pensar o Brasil a partir do ponto de vista da inferioridade e do complexo de colonizado, está muito presente na forma dos brasileiros perceberem a sua sociedade. Afinal, o que é bom vem do primeiro mundo, não é? O segundo ângulo de análise, é que ao considerar a sua obra a "verdadeira história", Eduardo Bueno, desconsidera os trabalhos que o antecederam, além de pretender esgotar o assunto. Será que o autor, desconhece ou não considera relevante o fato de que a verdade é sempre relativa, dependendo do prisma pelo qual se olhe?

Será que essa história relatada por E. Bueno é, em tudo, verdadeira para os marinheiros, degredados e os indianos? E os tupinambás, o que eles têm a dizer dessa viagem do descobrimento? Os olhares são múltiplos e condicionados pelos interesses do seu tempo histórico. Outros autores produziram outras histórias não menos verdadeiras que a apresentada por Eduardo Bueno, talvez com mais originalidade ou com maior problematização, mas igualmente passíveis de críticas e elogios[4].

NOTAS:
1 - BUENO, E. A viagem do descobrimento. P. 9.
2 - idem, p. 130.
3 - O prof. Ubitatan Araújo considera a discussão sobre antecedência e intencionalidade dos portugueses na chegada ao Brasil, produto do etnocentrismo brasileiro, superada pela historiografia do descobrimento. Para ele o foco das atenções está voltado para o processo de expansão européia por meio das navegações, no qual os portugueses cumpriram o seu papel - o de abrir caminhos e consolidar rotas – sendo substituído por outras potências européias que emergiram nas fases subsequentes do desenvolvimento do capitalismo. E, é dentro deste processo que prefere situar a chegada portuguesas às atuais terras brasileiras. Para maiores informações ver entrevista nesta edição.
4 - O leitor que quiser ter acesso a outras abordagens da História do Descobrimento, conferir: FONTANA, Riccardo. O Brasil de Américo Vespúcio. Brasília: Riccardo Fontana, UNB, 1995. GODINHO, Vitorino Magalhães. Os Descobrimentos e a Economia Mundial. 4 volumes. Lisboa: Editorial Provença, 1984. NOVAES, Adauto. A descoberta do homem e do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Flávio Santos é Mestrando em História pela FFCH da Univ. Federal da Bahia